sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Jornalismo tendencioso

O jornal A Folha de São Paulo, das edições do final de semana de 07 e 08 de agosto de 2010, enfatizou o debate político entre os candidatos a Presidente que ocorreu na sexta-feira (06) e seus desdobramentos. Em nossa análise, as matérias e artigos abordam principalmente os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT) com maior destaque em relação aos demais – Marina Silva (PV) e Plínio Arruda (PSOL) – que aparecem como coadjuvantes e indignos de serem levados a sério. Além disso, o jornal os ironiza por não representarem ameaças na “grande” campanha, que seria a eterna disputa entre PT e PSDB.

Em uma breve análise semântica do conteúdo publicado pelo jornal, como exemplo “De resto, sobra o rosário de cifras já disseminado pelo PT na internet.”, reforçam o posicionamento da Folha de São Paulo na eleição nacional. Para uma leitor preso à interpretação de um único veículo de comunicação, ou mesmo para aqueles que costumam obter informações em mídias que têm um mesmo posicionamento sobre os fatos, vão construir uma ideia que se assemelhará à sombras, como na ilustração de Platão, na alegoria da caverna.

As imagens utilizadas também podem ser consideradas tendenciosas, já que há fotos do presidente Lula em situações insólitas (abraçando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ou em pose descontraída) com o sentido de denegrir o Governo. O jornal ainda recrimina a ideia de que a oposição ao Governo Lula está moderada e sugere que os partidos contrários ao atual governante deveriam ser mais incisivos em seus argumentos.

Na cobertura dos debates, a Folha afirma que Dilma distorceu números e fabricou dados, ocupando a primeira posição no “mentirômetro” elaborado pelo jornal; ou seja, o Partidos dos Trabalhadores foi representado como uma entidade desonesta e mentirosa. Já o candidato José Serra aparece como fraco, com propostas dignas de um governante municipal e sem capacidade para ser presidente.

A Folha, como sendo o principal jornal impresso brasileiro (o mais antigo e mais lido do país), passa a idéia de credibilidade como se publicasse apenas um espelho da realidade. O grande erro do veículo está em não deixar claro ao leitor a posição ideológica contra o Governo e contra sua candidata a sucessão presidencial.

Texto: Joana Gall | Sílvia Mendes | Taísa Szabatura | Tamara Belizario

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