quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Governo catarinense: uma análise necessária

O que são os dados de uma pesquisa sem uma leitura crítica e analítica? E o que é a pesquisa sem um método? Estes são os principais questionamentos cabíveis quanto à cobertura da pesquisa eleitoral do ano de 2010 para o governo de Santa Catarina na edição do dia 8 de agosto do Diário Catarinense. O foco desta análise concentra-se na matéria intitulada “Ângela na liderança de SC” e na coluna do jornalista Moacir Pereira – um dos principais analistas políticos do estado.

A página dez da editoria de Política traz a primeira pesquisa Ibope sobre as intenções de voto do governo do Estado em Santa Catarina. A matéria apresenta um gráfico em que coloca em ordem decrescente os oito candidatos – Ângela Amin (PP), Raimundo Colombo (DEM), Ideli Salvatti (PT), Amadeu Hercílio da Luz (PCB), José Carmelito Smieguel (PMN), Gilmar Salgado (PSTU), Valmir Martins (PSOL) e Rogério Novaes (PV) – à cadeira do executivo catarinense, além de mostrar os índices de rejeição e três possíveis cenários para o segundo turno das eleições 2010. Já na página 3, o colunista Moacir Pereira comenta a pesquisa e apresenta os públicos que seguem os candidatos.

Mas como apresentar a pesquisa de forma mais próxima da realidade? Um dos caminhos seria mostrar a metodológica usa, uma vez que o leitor só consegue fazer uma análise precisa dos números dos gráficos se o método for revelado. Senão, fica evidenciada que a pesquisa não é tão real quanto deveria ser, ou seja, não é o reflexo da realidade. O resultado da pesquisa depende, em certa medida, da metodologia aplicada.

Isso não aconteceu na pesquisa apresentada na edição de 8 de agosto, uma vez que a matéria limitou-se em relatar os dados mostrados no gráfico. Uma reportagem que revela a metodologia utilizada, consegue fazer com que o leitor aprenda e apreenda de maneira mais significativa os dados, uma vez que desta maneira se alcançaria o processo educativo e esclarecedor.

No caso da referida edição, pesquisa realizada entre os dias 3 e 5 de agosto de 2010, foram entrevistados 812 eleitores. Esse número é um recorte da realidade e serve apenas como um termômetro sobre as intenções de voto do eleitorado. Não se pode afirmar que os índices apresentados refletem a realidade.

Texto: Camila Purim | Mayara Gutjahr | Rafael Huppes Piacini | Samir Ruzza

Carta Capital: uma revista que assume posição

No editorial da revista Carta Capital, de 11 de agosto, escrito pelo jornalista Nino Carta, há um posicionamento em favor da candidatura da candidata do PT, Dilma Rousseff. Ao mesmo temo tempo, há uma tendência antitucana. No editorial, Carta faz críticas severas a José Serra (PSDB), colocando em dúvida a conduta do candidato à presidência. “Não sei que gênero de climas pretende atingir a campanha de José Serra, aliás, não entendi até hoje quais são as suas diretrizes, porque às vezes parece-me ter perdido a bússola”, comenta.

Nas matérias envolvendo o candidato Serra, a revista trouxe fontes oficiais, que apresentaram argumentos negativos sobre a sua atuação politica, não mantendo assim uma imparcialidade em relação às eleições 2010.



A revista se posiciona

“Clareza – expusemos a nossa preferência na certeza de servir ao leitor”. Em várias partes da revista, seja no editorial, grande reportagem ou coluna, Carta Capital defende o voto na indicação de Lula. O tom de ironia permeia diversos parágrafos, quando é citado por exemplo o resultado das pesquisas Datafolha, ou sobre a expectativa da opção, em Dilma, barrar em sua “inexperiência” eleitoral.

A revista também deixou implícito, nas entre linhas, que mais do que apoiar Dilma, eles defendem a candidata de Lula. O presidente sempre é citado como tripé da candidatura com números crescentes da presidenciável do PT. Para alguns soa como uma imparcialidade desconforme com as bases do jornalismo, para ouros a decisão de deixar claro é não confundir o eleitor com um discurso hipócrita travestido de jornalismo.

Texto: Carla Superti | Carla Milani | Jamile Tonini | Paula Casagrande Garcia

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Jornalismo tendencioso

O jornal A Folha de São Paulo, das edições do final de semana de 07 e 08 de agosto de 2010, enfatizou o debate político entre os candidatos a Presidente que ocorreu na sexta-feira (06) e seus desdobramentos. Em nossa análise, as matérias e artigos abordam principalmente os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT) com maior destaque em relação aos demais – Marina Silva (PV) e Plínio Arruda (PSOL) – que aparecem como coadjuvantes e indignos de serem levados a sério. Além disso, o jornal os ironiza por não representarem ameaças na “grande” campanha, que seria a eterna disputa entre PT e PSDB.

Em uma breve análise semântica do conteúdo publicado pelo jornal, como exemplo “De resto, sobra o rosário de cifras já disseminado pelo PT na internet.”, reforçam o posicionamento da Folha de São Paulo na eleição nacional. Para uma leitor preso à interpretação de um único veículo de comunicação, ou mesmo para aqueles que costumam obter informações em mídias que têm um mesmo posicionamento sobre os fatos, vão construir uma ideia que se assemelhará à sombras, como na ilustração de Platão, na alegoria da caverna.

As imagens utilizadas também podem ser consideradas tendenciosas, já que há fotos do presidente Lula em situações insólitas (abraçando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ou em pose descontraída) com o sentido de denegrir o Governo. O jornal ainda recrimina a ideia de que a oposição ao Governo Lula está moderada e sugere que os partidos contrários ao atual governante deveriam ser mais incisivos em seus argumentos.

Na cobertura dos debates, a Folha afirma que Dilma distorceu números e fabricou dados, ocupando a primeira posição no “mentirômetro” elaborado pelo jornal; ou seja, o Partidos dos Trabalhadores foi representado como uma entidade desonesta e mentirosa. Já o candidato José Serra aparece como fraco, com propostas dignas de um governante municipal e sem capacidade para ser presidente.

A Folha, como sendo o principal jornal impresso brasileiro (o mais antigo e mais lido do país), passa a idéia de credibilidade como se publicasse apenas um espelho da realidade. O grande erro do veículo está em não deixar claro ao leitor a posição ideológica contra o Governo e contra sua candidata a sucessão presidencial.

Texto: Joana Gall | Sílvia Mendes | Taísa Szabatura | Tamara Belizario

Mas afinal, o que é verdade?

Mas afinal, o que é verdade? Quem define o que é verdade? Parte do diálogo entre Sócrates e Glauco, no livro A república, de Platão – página 389 – apresenta uma ideia do que seria realidade (representação) e imitação (representação da representação) e como as pessoas pouco informadas podem ser influenciadas por opiniões distorcidas. O debate lembra também a alegoria da caverna de Platão, para ilustrar que nossas realidades, muitas vezes, não passam de sombra, ou de representações construídas a partir de outras representações. O debate de Platão ajuda a pensar sobre a construção de nossas ideias sobre os acontecimentos pautados, quase sempre, pelos processos de mediação.

Hoje, as formas de representação intensificaram demasiadamente. Os meios de comunicação de massa (que se intensificaram a partir do século 19), como sendo formadores de opinião, passam a ideia de que se responsabilizam em divulgar a verdade a serviço da sociedade. Entretanto, a imparcialidade é um mito, e a partir do momento em que um ser humano observa e repassa uma informação, ela será transmitida a partir dos olhos daquela pessoa ou instituição. Nesse processo há sempre intenções que não ficam ocultas na mensagem.

A tendência é de que público adote como verdade o que lê nos veículos de credibilidade, mas é preciso questionar e duvidar. Quando estamos diante de imagem mais realista, como, por exemplo em documentário ou mesmo nos telejornais, esse efeito de verdade se intensifica mais ainda. Jorge Furtado, no texto O sujeito extraordinário, parte da discussão de Platão para pensar o realismo nas imagens. Segundo ele, teríamos que pensar numa terceira cópia (Platão fala da primeira e segunda) é da evolução das técnicas de comunicação que faz com que imagens se tornem cada vez mais reais. A aparência idêntica ao objeto e em movimento tem o poder de substituir o objeto real e, portanto, dar valor real a ele. É isso que acontece com a notícia. O poder de a mensagem na TV se passar como verdadeira para o telespectador seria muito maior do que em outras formas de representação.



Essa discussão nos ajuda a refletir a representações que a mídia tem feito sobre as eleições. No jornal Diário do Litoral – DIARINHO – dos dias 7 e 8 de agosto de 2010, podemos citar como exemplo a coluna de Júlio César (JC).

Num dos tópicos, JC fala sobre a possível desapropriação de uma área pelo governo de Jandir Bellini (PP), mas ele não cita a fonte da onde recebeu a informação, apenas dá a entender que foi por terceiros sem mencionar nomes. Isso acaba deixando a notícia vaga e sem credibilidade, afinal, ele não prova sua veracidade. Mas ela poderá ser tomada como tal por quem a lê, o que pode gerar uma ideia errada sobre o assunto.

Em vários outros casos, como o trecho “Teve quem mordesse a língua em Piçarras por conta do início das obras de urbanização (...) segundo os sacrossantos do paço” JC não deixa claro quem é o sujeito da ação e nem quem foi a pessoa que passou a informação, o que deixa uma sensação de dúvida no leitor que não consegue identificar se a notícia é verídica na sua essência.

Por fim, o comunicador tem a responsabilidade de informar e esclarecer a sociedade sobre os fatos relevantes para o seu desenvolvimento e, para tanto, deve carregar consigo a ética e a verdade em qualquer situação.



Texto: Ariana Russi Deschamps | Jamila Araújo da Silva | Mariana Reibnitz Vieira | Paola Donner

Eleições no Santa

Nas edições dos dias 10, 11 e 12 de agosto, o jornal Santa pouco trabalhou em cima das campanhas para governo estadual. Em resumo, apenas no dia 10 uma matéria é dedicada ao assunto. “Campanha. Arrecadação parcial é de R$ 1,2 milhão”, assim é a manchete da matéria assinada por Natália Viana. A matéria divulga a primeira prestação de contas dos candidatos ao governo do estado de Santa Catarina.


A matéria destaca Ângela Amin (PP) que, até agora, menos arrecadou dinheiro para a campanha. No argumento, o partido apresentou “os números mais modestos”. O texto também explica que o DEM, representado pelo candidato Raimundo Colombo, está com as informações desatualizadas, sendo que “os campos do candidato e do comitê aparecem em branco”. Natália cita como fonte José Carlos Oneda, tesoureiro do DEM, para explicar a ausência dos dados.

O texto é elucidativo. Explica como funciona a movimentação financeira dos partidos, que é separada em três campos: o do candidato, do comitê financeiro único e da direção partidária. Esses dados são esclarecidos por meio de infográficos que se localizam no meio da matéria.

Em outra matéria publicada no mesmo dia: “PMDB. Temer evita polêmica em SC” voltada à campanha para governo federal, a repórter Daiane Costa trabalha em cima da vinda de Michel Temer (PMDB) à Santa Catarina. O texto dá espaço para a declaração do candidato a vice-presidência da República ao reforçar que a região sul, em especial Santa Catarina, é a sua prioridade, pois é onde o adversário tem o campo eleitoral mais forte. O texto aborda ainda o discurso do candidato explorando o fato de que o PMDB deve se unificar. Ele se referia ao atual candidato a vice-governador Eduardo Moreira, que desistiu de concorrer ao governo para apoiar Raimundo Colombo (DEM).

Na foto publicada nessa matéria, há uma expressão de negatividade na vinda de Temer em contraste com a imagem, grande e sorridente, de Dilma Rousseff.


Texto: Alie Kroetz | Amábile Maria Montibeller dos Santos | Rafael Mônaco | Talita Corso

Pouco destaque

A edição de primeiro de agosto, o Jornal ANotícia reservou um espaço relativamente curto para a eleição ao governo de Santa Catarina. Este espaço tratou de noticiar apenas o resultado da primeira pesquisa do Ibope com as intenções de vota ao governo do estado.


A página trouxe apenas um texto de cerca de 15 linhas e um gráfico mostrando os resultados das diversas situações apresentadas pela pesquisa. O texto fez referência apenas aos resultados mais expressivos da pesquisa Ibope como o maior percentual de intenção dos votos.

A matéria até pareceu buscar isenção. Mas pecou num pequeno detalhe que, olhando do ponto de vista político, pode de alguma maneira afetar resultados. O erro foi citar apenas Ângela Amin e Ideli Salvatti como candidatas com algum índice de rejeição.

Texto: Daniella Medeiros | Talita Rodrigues | Fernando Gomes.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Desafios da comunicação

Há um paradigma na comunicação que assombra nossa realidade. A sua incompletude. Ela é ontologicamente um não ser. Comunicar é um gesto de representar ou apresentar uma ideia ou objeto a alguém. As formas de narrar substituem o objeto narrado? O signo realmente está no lugar do objeto representado? Ou o referente da comunicação é uma entidade imaginária? Não há dúvida. A comunicação é sempre um segundo ato do acontecimento. Um outro acontecimento. É nesse lugar de parecer estar ou representado o objeto (fato) que se encontra o problema central da disciplina Estética e Cultura de Massa, do curso de Jornalismo da Univali. Platão. Marx. Freud. Nietzsche. Teoria Crítica. Semiótica. Estudos Culturais... Não faltam autores e teorias para pensar este lugar da comunicação.


O desafio aos acadêmicos para este segundo semestre de 2010 será fazer análise da cobertura da imprensa sobre as eleições de 2010. As reflexões serão feitas a partir dos textos estudados em aula.