O que são os dados de uma pesquisa sem uma leitura crítica e analítica? E o que é a pesquisa sem um método? Estes são os principais questionamentos cabíveis quanto à cobertura da pesquisa eleitoral do ano de 2010 para o governo de Santa Catarina na edição do dia 8 de agosto do Diário Catarinense. O foco desta análise concentra-se na matéria intitulada “Ângela na liderança de SC” e na coluna do jornalista Moacir Pereira – um dos principais analistas políticos do estado.
A página dez da editoria de Política traz a primeira pesquisa Ibope sobre as intenções de voto do governo do Estado em Santa Catarina. A matéria apresenta um gráfico em que coloca em ordem decrescente os oito candidatos – Ângela Amin (PP), Raimundo Colombo (DEM), Ideli Salvatti (PT), Amadeu Hercílio da Luz (PCB), José Carmelito Smieguel (PMN), Gilmar Salgado (PSTU), Valmir Martins (PSOL) e Rogério Novaes (PV) – à cadeira do executivo catarinense, além de mostrar os índices de rejeição e três possíveis cenários para o segundo turno das eleições 2010. Já na página 3, o colunista Moacir Pereira comenta a pesquisa e apresenta os públicos que seguem os candidatos.
Mas como apresentar a pesquisa de forma mais próxima da realidade? Um dos caminhos seria mostrar a metodológica usa, uma vez que o leitor só consegue fazer uma análise precisa dos números dos gráficos se o método for revelado. Senão, fica evidenciada que a pesquisa não é tão real quanto deveria ser, ou seja, não é o reflexo da realidade. O resultado da pesquisa depende, em certa medida, da metodologia aplicada.
Isso não aconteceu na pesquisa apresentada na edição de 8 de agosto, uma vez que a matéria limitou-se em relatar os dados mostrados no gráfico. Uma reportagem que revela a metodologia utilizada, consegue fazer com que o leitor aprenda e apreenda de maneira mais significativa os dados, uma vez que desta maneira se alcançaria o processo educativo e esclarecedor.
No caso da referida edição, pesquisa realizada entre os dias 3 e 5 de agosto de 2010, foram entrevistados 812 eleitores. Esse número é um recorte da realidade e serve apenas como um termômetro sobre as intenções de voto do eleitorado. Não se pode afirmar que os índices apresentados refletem a realidade.
Texto: Camila Purim | Mayara Gutjahr | Rafael Huppes Piacini | Samir Ruzza