Mas afinal, o que é verdade? Quem define o que é verdade? Parte do diálogo entre Sócrates e Glauco, no livro A república, de Platão – página 389 – apresenta uma ideia do que seria realidade (representação) e imitação (representação da representação) e como as pessoas pouco informadas podem ser influenciadas por opiniões distorcidas. O debate lembra também a alegoria da caverna de Platão, para ilustrar que nossas realidades, muitas vezes, não passam de sombra, ou de representações construídas a partir de outras representações. O debate de Platão ajuda a pensar sobre a construção de nossas ideias sobre os acontecimentos pautados, quase sempre, pelos processos de mediação.
Hoje, as formas de representação intensificaram demasiadamente. Os meios de comunicação de massa (que se intensificaram a partir do século 19), como sendo formadores de opinião, passam a ideia de que se responsabilizam em divulgar a verdade a serviço da sociedade. Entretanto, a imparcialidade é um mito, e a partir do momento em que um ser humano observa e repassa uma informação, ela será transmitida a partir dos olhos daquela pessoa ou instituição. Nesse processo há sempre intenções que não ficam ocultas na mensagem.
A tendência é de que público adote como verdade o que lê nos veículos de credibilidade, mas é preciso questionar e duvidar. Quando estamos diante de imagem mais realista, como, por exemplo em documentário ou mesmo nos telejornais, esse efeito de verdade se intensifica mais ainda. Jorge Furtado, no texto O sujeito extraordinário, parte da discussão de Platão para pensar o realismo nas imagens. Segundo ele, teríamos que pensar numa terceira cópia (Platão fala da primeira e segunda) é da evolução das técnicas de comunicação que faz com que imagens se tornem cada vez mais reais. A aparência idêntica ao objeto e em movimento tem o poder de substituir o objeto real e, portanto, dar valor real a ele. É isso que acontece com a notícia. O poder de a mensagem na TV se passar como verdadeira para o telespectador seria muito maior do que em outras formas de representação.
Essa discussão nos ajuda a refletir a representações que a mídia tem feito sobre as eleições. No jornal Diário do Litoral – DIARINHO – dos dias 7 e 8 de agosto de 2010, podemos citar como exemplo a coluna de Júlio César (JC).
Num dos tópicos, JC fala sobre a possível desapropriação de uma área pelo governo de Jandir Bellini (PP), mas ele não cita a fonte da onde recebeu a informação, apenas dá a entender que foi por terceiros sem mencionar nomes. Isso acaba deixando a notícia vaga e sem credibilidade, afinal, ele não prova sua veracidade. Mas ela poderá ser tomada como tal por quem a lê, o que pode gerar uma ideia errada sobre o assunto.
Em vários outros casos, como o trecho “Teve quem mordesse a língua em Piçarras por conta do início das obras de urbanização (...) segundo os sacrossantos do paço” JC não deixa claro quem é o sujeito da ação e nem quem foi a pessoa que passou a informação, o que deixa uma sensação de dúvida no leitor que não consegue identificar se a notícia é verídica na sua essência.
Por fim, o comunicador tem a responsabilidade de informar e esclarecer a sociedade sobre os fatos relevantes para o seu desenvolvimento e, para tanto, deve carregar consigo a ética e a verdade em qualquer situação.
Texto: Ariana Russi Deschamps | Jamila Araújo da Silva | Mariana Reibnitz Vieira | Paola Donner